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TESES

A co-produção do influenciador ciborgue: materialidades, mediação algorítmica e a economia da visibilidade no TikTok

Thiago Assumpção (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Esta pesquisa investiga como se constituem mutuamente criadores, algoritmos e interfaces do TikTok na formação de práticas de trabalho digital, analisando a emergência do influenciador ciborgue através do Programa de Recompensas do Criador (PRC). A questão central indaga que dinâmicas emergem entre criadores e sistemas algorítmicos na constituição de práticas laborais digitais e como redefinem condições de sustentabilidade na economia da influência.
O estudo fundamenta-se no neomaterialismo (Barad, 2006; Lemos, 2020a), Teoria Ator-Rede (Latour, 2012), estudos de plataformização (Van Dijck et al., 2018) e trabalho digital (Grohmann, 2020). A hipótese central sustenta que a cultura algorítmica constitui-se através de relações específicas entre criadores e infraestruturas automatizadas que diferem qualitativamente da cultura de massa, produzindo modalidades híbridas de trabalho digital.
A pesquisa desenvolve os conceitos de biopedagogia algorítmica e influenciador ciborgue como categorias analíticas. Investiga estratégias adaptativas como gambiarras digitais (Messias, 2020) e fofoca algorítmica (Bishop, 2019) que revelam agência distribuída em ambiente de controle algorítmico.

Flávia Sofia (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: O projeto desenvolve uma pesquisa sobre Controle e Vigilância digitais em relacionamentos íntimos. Em uma primeira etapa, analisa como dispositivos de uso comercial e cotidiano têm suas funcionalidades subvertidas nestas perturbações, e alcançam um limite em casos criminosos de stalking por parceiros românticos. Em uma segunda etapa, quer analisar aplicativos de spyware desenvolvidos especificamente para controle e vigilância (conhecidos como stalkerwares), os compreendendo como radicalizações de uma sociedade que banaliza e tolera o monitoramento interpessoal. Entende estes fenômenos como partes de uma Sociedade de Plataformas (Van Dick & Poel) –  datificada, orientada por lógica algorítmica, sujeita às falibilidades inerentes à Comunicação – ou seja, PDPA (Lemos). A partir de uma análise neomaterialista que utiliza teoria ator-rede (Latour); a abordagem de Fox & Aldred para estudo sociológico da violência relacionada à gênero; e uma cartografia dos afetos (Deleuze, Guattari & Rolnik, Spinoza, Massumi); em um método para comunicação associal (Lemos) -, a  tese quer validar Controle e Vigilância digitais como perturbações infraestruturais que geram problemas éticos também em relacionamentos íntimos, defendendo a hipótese de que novos dispositivos geram novoas tipos de monitoramento nessas relações.

Gabriel Goes (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Esta pesquisa propõe investigar as ecologias da vigilância digital através de uma análise comparativa e multidimensional das arquiteturas de dataficação em plataformas web e móveis no contexto brasileiro. Partindo das descobertas preliminares na dissertação de mestrado do autor sobre agentes ocultos de vigilância em websites de startups, o estudo busca expandir a investigação para incluir aplicativos móveis, SDKs (Software Development Kits) e suas implicações sociotécnicas, jurídicas e experienciais. Através de uma abordagem neomaterialista fundamentada na Teoria Ator-Rede, a pesquisa mapeia as redes de mediadores técnicos e humanos que constituem o capitalismo de vigilância brasileiro, analisando não apenas as práticas de coleta de dados, mas também as percepções dos usuários, as responsabilidades jurídicas distribuídas e as possibilidades de resistência. O estudo propõe uma metodologia híbrida que combina análise técnica de código, etnografia digital, entrevistas com stakeholders e experimentação com tecnologias de privacidade. Os objetivos incluem desenvolver uma taxonomia comparativa das práticas de vigilância entre plataformas web e móveis, investigar a consciência e agência dos usuários brasileiros frente à dataficação, analisar as lacunas regulatórias da LGPD no contexto de vigilância distribuída, e propor um framework de privacidade situada que considere as especificidades do Sul Global. A pesquisa contribui para os estudos críticos de plataforma ao oferecer uma perspectiva neomaterialista sobre o colonialismo de dados, propondo alternativas para uma economia digital menos extrativista e mais alinhada com princípios de soberania digital e justiça informacional.

Ellen Guerra (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Este projeto propõe investigar o fenômeno da evitação de notícias no contexto da plataformização, da dataficação e da performatividade algorítmica (PDPA) (LEMOS, 2020), buscando compreender como práticas de não consumo informacional são produzidas pela interação entre sujeitos, conteúdos jornalísticos e infraestruturas digitais. Parte-se da hipótese de que a evitação não resulta apenas de uma escolha individual, mas emerge também como efeito indireto da lógica algorítmica de personalização. O fenômeno da evitação de notícias tem se consolidado como um dos desafios para o jornalismo contemporâneo. Dados recentes demonstram que o aumento do desinteresse pelo noticiário em diversas partes do mundo vai além de uma escolha individual, configurando-se como um comportamento comunicacional complexo e mediado. A literatura tem apontado para a necessidade de investigar fatores que transcendem as motivações pessoais, focando nas infraestruturas digitais que moldam o consumo informacional e a responsabilidade das plataformas nesse processo. (ANDERSEN, TOFF & YTRE-ARNE, 2024; TOFF, PALMER & NIELSEN, 2024). A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como as arquiteturas das plataformas digitais influenciam a visibilidade, a circulação e a ocultação de conteúdos jornalísticos, impactando diretamente a prática jornalística. Para enfrentar o desafio de mapear uma prática cuja natureza central é a ausência de consumo, a pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem exploratória e descritiva, combinando três dimensões: a discursiva (entrevistas semiestruturadas com usuários), a infraestrutural (análise de plataformas e algoritmos) e a relacional (cartografias sociotécnicas). Essa triangulação permitirá mapear os modos pelos quais a PDPA organiza a circulação de notícias, investigando não apenas os motivos da evitação, mas também as condições que tornam possível sua ocorrência. Ao articular essas abordagens, a pesquisa busca demonstrar como as práticas de não consumo informacional são coproduzidas por uma complexa rede de interações entre atores humanos e não-humanos, contribuindo para o avanço dos estudos sobre jornalismo em ambientes digitais e para o debate sobre o lugar das plataformas na esfera pública.

Falibilidades constitutivas das infraestruturas comunicacionais: uma investigação da década pós-WannaCry (2017-2026)

Alessandra Olinda (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: A pesquisa investiga as falibilidades constitutivas das infraestruturas digitais contemporâneas, focando na década pós-WannaCry (2017-2026). Utilizando o método para comunicação associal do Lab404, a arquitetura PDPA-F e a etnografia ciborguiana, o estudo examina como incidentes de segurança reconfiguram práticas comunicacionais e imaginários tecnopolíticos. Fundamentada no neomaterialismo, no realismo agencial (Barad, 2007) e na teoria ator-rede (Latour, 2012), a pesquisa propõe uma abordagem que analisa as intra-ações entre plataformização, dataficação, performatividade algorítmica e falibilidades. A metodologia combina cartografias situadas, sensores especulativos e narrativas infraestruturais para desenvolver um aparato analítico-comunicacional que reconhece a inseparabilidade entre método e objeto. Partimos da hipótese de que as falibilidades são operadores críticos que revelam e reconfiguram as lógicas da PDPA, catalisando transformações nas práticas comunicacionais contemporâneas. A investigação se justifica pela necessidade de compreender como erros, falhas e perturbações (Lemos, 2024) não são anomalias, mas elementos constitutivos das infraestruturas comunicacionais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais justas e cuidadosas de viver com-através das vulnerabilidades sistêmicas.

Soberania Digital

Walmir Estima (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: A pesquisa de Walmir investiga os usos, valores, demandas e práticas em torno da ideia de Soberania Digital que circula no território brasileiro. Mapeando os atores nacionais que mobilizam o conceito e as práticas institucionais que o produzem, Walmir problematiza os alcances do que se tornou um “conceito guarda-chuvas” e investiga a performance prática dos projetos nacionais de autodeterminação ante territórios digitalizados.

DISSERTAÇÕES

A máquina como espelho: Validação algorítmica de gênero e erosão social em modelos de linguagem destilados

Giovanni Della Dea (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: Este projeto investiga a destilação de grandes modelos de linguagem (LLMs) e sua expansão em dispositivos pessoais, focando em como essa democratização técnica reconfigura a reprodução de vieses sociais. A pesquisa parte da contradição entre a acessibilidade técnica e a validação algorítmica por feedback humano, que transforma tais ferramentas em sistemas que materializam a “escrita que produz enviesamentos”. Adotando um referencial de tecnofeminismo e dataficação, o estudo analisa a apropriação de modelos destilados na criação de “companheiros digitais”, prática que atualiza o padrão histórico de feminização de tecnologias de serviço e gera custos sociais e materiais invisibilizados. A metodologia combina o estudo de caso de plataformas de código aberto com a análise de conteúdo e discurso, conectando mecanismos técnicos de compressão aos efeitos socioculturais da automação. O objetivo é mapear como as escolhas de arquitetura manifestam-se em práticas comunicacionais, oferecendo uma contribuição crítica à erosão social no campo da Comunicação e Cultura Digital.

Infra Estrutura Digital no Brasil: as controvérsias e efeitos da política de expansão dos Data Centers no país a partir de estudos de caso

Janaína de Castro Alves (pesquisadora responsável); André Lemos (orientador)

Resumo: A expansão do uso de plataformas de tecnologia atinge todas as instâncias da vida. O uso cotidiano de variados dispositivos tecnológicos e redes sociotécnicas geram um infinito número de dados a partir das nossas ações e relações online. Esses dados são capturados, tratados, organizados e colocados à disposição da produção de informação. A demanda por mais dados e modelos mais eficientes implica na expansão da infra estrutura maquínica para processamento desses dados em complexos computacionais chamados Data Centers (Lemos, 2021; Hogan e Lepage- Richer, 2023; Crawford 2021). A pesquisa aborda a materialidade dos processos comunicacionais mediados pela infra estrutura digital, pautando-se em uma visão não antropocêntrica, que considera todos os atores envolvidos. O projeto investigará as características dos locais em que esses DC pretendem ser implementados, os efeitos ambientais esperados, populações impactadas pela construção dos complexos computacionais, como essas estruturas irão modificar a estrutura de serviços do Estado e da iniciativa privada. Utilizando a metodologia neo materialista, o trabalho pretende mapear as controvérsias acerca da implementação da política.

TCC

O anonimato e a violência de gênero nos games: uma análise das dinâmicas de comunicação do Valorant

Laura Benjamim (pesquisador responsável); André Lemos (orientador)

Busca investigar como o anonimato, enquanto um componente presente nas estruturas dos jogos online, atua como um facilitador na reprodução das violências de gênero, por meio das dinâmicas de comunicação do jogo Valorant. A análise pretende compreender como os elementos comunicacionais são apropriados e utilizados para a manutenção de hegemonias nas interações sociais que ocorrem nos games, além de promover uma discussão sobre tecnologias digitais e relações de poder, a partir de uma abordagem neomaterialista.