Gabriel GoesEvento

Lab404 realiza o workshop ‘Governança de IA no Brasil e em Portugal’ entre 04 a 08 de maio

O Lab404 – FACOM/UFBa realiza o workshop sobre GOVERNANÇA DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO BRASIL E EM PORTUGAL: CRUZAMENTOS E TENDÊNCIAS,...

O Lab404 – FACOM/UFBa realiza o workshop sobre GOVERNANÇA DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO BRASIL E EM PORTUGAL: CRUZAMENTOS E TENDÊNCIAS, no bojo do projeto de cooperação acadêmica “Conhecimento Brasil”, financiado pelo CNPq, de 4 a 8 de maio de 2026 (Projeto de pesquisa apresentado à Chamada CNPq / MCTI / FNDCT nº 22/2024: Programa Conhecimento Brasil – Apoio a projetos em rede com pesquisadores brasileiros no exterior).

As atividades incluirão palestras, workshops e reuniões de pesquisa com as equipes do Lab404 da Faculdade de Comunicação da UFBA e da Faculdade de Comunicação da Universidade Fernando Pessoa, em Porto, Portugal.

O registro como atividade de extensão estará disponível ao público em geral, gratuitamente, com carga horária de 20h.

Entidades Parceiras – Faculdade de Comunicação da UFBA (Brasil) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UFP – Doutoramento em Ciências da Comunicação (Portugal). Coordenação Geral – André Lemos, UFBA. Coordenação UFP – Renato Essenfelder, UFP.

PROGRAMAÇÃO

04/05 – Segunda-feira

Palestra sobre IA. “Inteligência Artificial e colapso do debate público: da regulação ao “brain rot” (Renato Essenfelder); Regulação da IA (André Lemos) – 9h30 – 12h – Auditório da Facom

Lançamento do livro “A comunicação precária. Erros, falhas e perturbações na cultura digital” de André Lemos (edições 70/Almedina, 2025)

05/05 – Terça-feira

Workshop Governança de Inteligência Artificial no Brasil e em Portugal: Cruzamentos e tendências. Resultados parciais da pesquisa com as equipes envolvidas – 9h – 12h30 – Auditório da Facom

06/05 – Quarta-feira

Reunião de pesquisa com as equipes – Sala 11 – 9h – 12:30 h

07/05 – Quinta-feira

Palestra Value Sensitive Design e IA:  operacionalizando valores no desenvolvimento de tecnologias (Haline Maia), A IA como objeto de pesquisa (Frederico Oliveira) e Inteligência Artificial e Desinformação (Júnia Ortiz) – Auditório – 9h30 – 12h

08/05 – Sexta-feira

Reunião de pesquisa com a equipe – A confirmar, será atualizado aqui

RESUMO DAS PALESTRAS

Inteligência Artificial e colapso do debate público: da regulação ao “brain rot” – Renato Essenfelder

Propõe uma reflexão crítica sobre o papel dos media no fomento ao debate público em torno da Inteligência Artificial Generativa. Após análise de mais de 200 artigos de imprensa, argumenta-se que a cobertura mediática em Portugal e no Brasil tem oscilado entre o entusiasmo acrítico e o alarmismo superficial, produzindo um ambiente de baixa densidade reflexiva que compromete a compreensão social do fenómeno e a transformação da IA em um “problema público”, etapa considerada fundamental para o estabelecimento de mecanismos eficientes de regulação.  Tal problemática inscreve-se num ecossistema comunicacional marcado pela fragmentação da atenção e pela aceleração informacional, contribuindo para aquilo que tem sido descrito como “brain rot”: uma erosão das capacidades cognitivas dos seres humanos.  A palestra explora, assim, as relações entre media, tecnologia e política, interrogando em que medida a IA radicaliza fragilidades do espaço público contemporâneo e de que maneira podemos intervir nesse debate.

Value Sensitive Design e IA:  operacionalizando valores no desenvolvimento de tecnologias – Haline Maia

Propõe a apresentação doValue Sensitive Design (VSD) como uma abordagem metodológica para integrar valores humanos no desenvolvimento de tecnologia. Partindo do reconhecimento de que princípios éticos frequentemente permanecem no plano normativo ou discursivo, argumenta-se que o VSD oferece instrumentos concretos para a identificação, negociação e incorporação de valores como autonomia, privacidade, confiança e justiça ao longo do ciclo de design. Em contraste com abordagens centradas apenas na regulação ou na mediação do debate público, o VSD atua diretamente na conceção das tecnologias, aproximando expectativas sociais e decisões técnicas. Com base em estudos aplicados em saúde digital e outros contextos sociotécnicos, a apresentação discute como processos participativos, oficinas de elicitação de valores e a tradução desses valores em requisitos funcionais e elementos de interface permitem alinhar sistemas tecnológicos com as necessidades e preocupações dos utilizadores.  A palestra contribui, assim, para o debate sobre governança da IA ao enfatizar o papel do design como espaço central de intervenção.

Regulação de IA – André Lemos

Discute a regulamentação da Inteligência Artificial (IA) no campo da educação e apresenta uma crítica à abordagem excessiva de regulamentação. A tese subjacente é que o pensamento e o processo educacional sempre envolvem “tecnologias da inteligência”. Isso não significa colocar em xeque a regulamentação legal da IA para Riscos Específicos. A ideia de uma “inteligência humana inata, imaculada” que precisa ser protegida da IA é considerada uma premissa equivocada que orienta esforços para manter livre a suposta “inteligência humana natural”. Termina com a proposição de três premissas e 10 proposições de diretrizes para o uso da IA na educação.

A IA como objeto de pesquisa – Frederico Oliveira

Propõe a análise da inteligência artificial a partir de suas consequências técnicas, políticas e sociais, indicando tal abordagem metodológica como estratégia capaz de dar conta da mutabilidade de tal objeto. Enfoca os desafios que a IA apresenta ao pesquisador, tanto em seu uso no desenvolvimento de publicações quanto em sua compreensão como objeto de pesquisa. A partir de dois casos – a divulgação da informação científica e os desafios de regulação – a palestra discute a importância de uma análise das materialidades envolvidas nas controvérsias sobre IA.

Inteligência Artificial e Desinformação – Júnia Ortiz

Discute o papel da Inteligência Artificial (IA) na reconfiguração contemporânea dos ecossistemas de desinformação, considerando tanto seu uso na produção automatizada de conteúdos quanto seu potencial no desenvolvimento de estratégias de detecção e mitigação. Aborda como avanços recentes em processamento de linguagem natural, grandes modelos de linguagem e visão computacional ampliaram significativamente a capacidade de geração de textos sintéticos, imagens hiper-realistas, áudios e vídeos artificiais, elevando o grau de sofisticação e verossimilhança desses conteúdos. Analisa, ainda, de que modo sistemas de recomendação, automação, personalização e mecanismos de hiperpersonalização intensificam sua circulação e potencial de influência em redes digitais. Por fim, apresenta abordagens computacionais emergentes de enfrentamento, com destaque para modelos multimodais capazes de integrar diferentes camadas de evidência e ampliar as possibilidades analíticas.

EQUIPE PARTICIPANTE

Renato Essenfelder Pesquisador e coordenador do doutoramento em Ciências da Comunicação da Universidade Fernando Pessoa (Porto), onde leciona nos níveis de graduação, mestrado e doutorado. No Brasil, desenvolveu carreira acadêmica nas universidades Presbiteriana Mackenzie, Cásper Líbero e ESPM São Paulo, onde foi vice-coordenador do mestrado profissional em Jornalismo. É doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Comunicação e Artes na Universidade da Beira Interior (UBI), onde desenvolveu pesquisa sobre aplicações de inteligência artificial no jornalismo. É membro integrado dos centros de pesquisa LabCom e CIAC, em Portugal, e integra o grupo Remolinos (Prolam-USP) de pesquisa sobre jornalismo de migrações. Sua pesquisa acadêmica enfatiza a análise crítica do relacionamento entre o campo da comunicação e novas tecnologias, redes sociais, algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial. Possui vasta experiência no campo jornalístico, tendo atuado como repórter e editor em veículos como Folha de São Paulo, Metro e publicações Sesc-SP, além de prestar consultoria na área. Desde 2014, contribui como cronista no Portal Estadão.Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0618-1602

Haline Maia – Investigadora afiliada ao INESC TEC e ao CIRCLE (Lund University), e investigadora de pós-doutoramento na Universidade Aberta no âmbito do projeto europeu OpenEU. Doutorada em Media Digitais pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (com Diploma Europeu), desenvolve investigação na interseção entre governança da Inteligência Artificial, ética algorítmica, desinformação e transformação digital na educação. A sua investigação combina abordagens participativas, como metodologias Delphi e VSD – value sensitive design, com foco na responsabilidade algorítmica e na integração ética da IA em contextos educacionais e mediáticos. Com mais de 15 anos de experiência em comunicação e marketing, trabalhou com grandes organizações como Grupo Globo, ExxonMobil e Accenture, articulando prática profissional e investigação aplicada em ambientes digitais. A sua produção científica tem vindo a ganhar crescente visibilidade internacional, com publicações em revistas indexadas e participação ativa em projetos europeus e colaborações internacionais na área de IA, jornalismo automatizado e educação digital. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0464-8616

André Lemos é Professor Titular do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA. Membro titular da Academia de Ciências da Bahia (ACB). Doutor em Sociologia pela Université René Descartes, Paris V, Sorbonne (1995). Pós-doutorado nas Universidades McGill e Alberta (Canadá, 2007-2008), na National University of Ireland (2015-2016) e no TIDD – PUC-SP (2022). Diretor do Lab404 – Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço e pesquisador “1A” do CNPq. Membro do Comitê Gestor do INCT-DD. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRB e do TIDD-PUC-SP. Seu último livro publicado é “A comunicação precária. Erros, falhas e perturbações na cultura digital”(Edições 70/Almedina, 2015). Orcid – http://orcid.org/0000-0001-9291-6494

Júnia Ortiz é Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na área de Comunicação, Cultura e Ciência de Dados. Doutora em Comunicação (PosCom/UFBA), graduada em Estatística (UFBA) e em Comunicação Social (UESB), além de especialista em Ciência de Dados e Big Data (Instituto de Matemática e Estatística – IME/UFBA). Atuou como pesquisadora visitante no Comparative Media Studies – Massachusetts Institute of Technology (MIT) (Capes/Fulbright – 2014-2015). Pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial (Senai/CIMATEC). Atuou como Líder Técnica de projetos de PD&I na área de Big Data/Inteligência Artificial, do Senai/CIMATEC. Principais interesses: Ciência de Dados; Deep Learning; Natural Language Processing.

Amanda Nogueira é Pesquisadora em estágio pós-doc no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (PósCom/UFBA) e pesquisadora associada do Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço (Lab404/UFBA). Realizou período sanduíche no Programa de Doctorado Estudios de las Mujeres, discursos y prácticas de Género, na Universidad de Granada, Espanha. Atualmente, é professora substituta do Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Mantém interesse, a partir de uma abordagem neomaterialista, nas áreas: comunicação e cultura digital, estudos de plataforma, gênero e juventudes.

Frederico Oliveira é Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pesquisa sobre desinformação, plataformas digitais e produção jornalística. Mestre em Comunicação e bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG). É tecnologista do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), onde desenvolve projetos nas áreas de Ciência da Informação e políticas públicas. Pesquisador no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). Atuou como professor nos cursos de Jornalismo e Produção Cultural da UFBA; de Jornalismo e Publicidade na Faculdade Sul-Americana (Fasam); e na área de Educação, Comunicação e Mídias na Faculdade de Educação da UFG. Tem experiência em educação a distância, tendo atuado como professor e tutor no sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Ellen Guerra é  Doutoranda e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (Póscom/UFBA). Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tem interesses em pesquisas na área de cultura digital, jornalismo, plataformas e dataficação. 

Gabriel Goes é Doutorando e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (Póscom/UFBA). Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Salvador (2020), além de tecnólogo em Marketing (2022) e especialista em Big Data e Inteligência Competitiva (2023) pelo Centro Universitário Jorge Amado. Possui interesse em temáticas sobre dataficação, vigilância e privacidade.

Thiago Assumpção  é Doutorando e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (PósCom/UFBA) e bolsista pela CAPES. Especialista em Tecnologias e Educação Aberta e Digital (UFRB). Bacharel em Comunicação Social | Publicidade e Propaganda (ESAMC) e em Humanidades (IHAC/UFBA). Seus interesses de pesquisa concentram-se em cultura digital, estudos de plataforma e neomaterialismo, investigando materialidades, mediação algorítmica e economia da visibilidade em plataformas de criadores de conteúdo.

Walmir Estima é Bacharel em Direito, especialista em Relações Internacionais, Doutorando e Mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas na UFBA. Tem interesse em pesquisas na área de Cultura Digital, Plataformas, Globalização, Política e Democracia.

Giovanni Della Dea é Mestrando do Lab404/UFBA. Pesquisa a interseção entre ciências da computação, inteligência artificial e estudos sociotécnicos, com ênfase em materialidades digitais, dataficação e performatividade algorítmica. Atua em aprendizado de máquina, engenharia de dados e análise de infraestruturas digitais, integrando sólida prática em desenvolvimento web e computação em nuvem.

Janaína Dias de Castro Alves é mestranda no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA (PósCom/UFBA), graduada no Bacharelado Interdisciplinar em Artes pela mesma instituição, e cursou Comunicação Social – Rádio e TV na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisa materialidades da cultura digital com foco na implementação de Data Centers e seus efeitos ambientais, sociais e territoriais. 

Cíntia Vitorino é Graduanda em Ciência e Tecnologia pela UFBA e técnica em Automação Industrial pelo IFBA. Bolsista de iniciação científica no Lab404, onde pesquisa cidades inteligentes e regulação de inteligência artificial sob orientação do Prof. André Lemos. Possui publicações em periódicos e capítulos de livro sobre plataformização da educação e cultura digital. Seus interesses de pesquisa articulam tecnopolítica, governança de dados e direitos digitais.

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